CHUVAS DE VERÃO, TODO VERÃO
por Dal Marcondes
As chuvas de verão agora tem nome chique. Na tevê chamam de “Zona de Convergência do Atlântico Sul”, que é quando a umidade que vem da Amazônia se encontra com o frio que vem do Sul.
O resultado é que a cada ano chove muito e pode chover ainda cada vez mais, porque tem outra novidade que veio para ficar, as “mudanças climáticas”, que já criaram até furacão em Santa Catarina. E todo ano morre gente, no Rio de Janeiro, em Minas, em Pernambuco, nas Alagoas e até em São Paulo. Não escapa ninguém. Mas se é assim todo ano porque não se dá um jeito? Até ministro balança por conta das “obras de contenção de enchentes”, mas as águas insistem em subir, em ocupar as várzeas dos rios e em escorrer forte pelas encostas dos morros.
Nos jornais o brado é porque o governo, incompetente, não fez as obras. As organizações correm para a filantropia nossa de cada dia e recolhem alimentos, águas e roupas para os desabrigados. Mas ninguém pergunta onde está o Plano Diretor das cidades alagadas, onde está o planejamento urbano que pode tirar as pessoas das “áreas de risco”, onde está a política habitacional que pode dar casa decente a toda essa gente? Mas, acima de tudo, onde estão as prioridades de governos que tapam córregos e cimentam praças para dar lugar a carros e avenidas? Os mesmos córregos e rios que deveriam das vazão a toda essa água? Rios que seguem espremidos pelo cimento e sem lugar para se espalhar e cumprir seu papel de fertilizar os campos.
Vai chover todo ano. Vai ter enchente todo ano, só não precisa morrer gente. Não precisa ter tanto prejuízo. E não é só aqui no Brasil, é em todo o mundo. Um estudo de uma seguradora alemã (Munich Re) informou que em 2011 o prejuízo do setor por conta de catástrofes naturais ficou em US$ 115 bilhões, muito acima dos US$ 42 bilhões de 2010. E nada Indica que as coisas venham a melhorar nos próximos anos. No Brasil o prejuízo não é dimensionado, as pessoas dos morros e das várzeas não tem seguro de suas roupas, fogões e geladeiras carregados pela lama e pelas lágrimas.
Clamar por obras de emergência não adianta muito. Pode satisfazer a mídia, mas não resolve nada. Devíamos é clamar por planejamento, por ações de recuperação urbana e de estruturação social. Não adianta tirar a lama das casas e rezar para que no ano que vem não chova tanto. Vai chover e não há nada que se possa fazer em relação a isso. O melhor mesmo é botar nossa engenharia e nossos políticos a serviço de cidades mais sustentáveis e menos vulneráveis. Aliás, em minhas andanças por esse Brasil, nunca vi uma aldeia indígena alagada. Deve ser porque eles sabem onde a água é forte e não constroem em seu caminho.
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Fonte: Envolverde
Foto: Carlos Emerson Junior

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Na terça, na quarta e também na quinta-feira, a temperatura no alto de Olaria, em Nova Friburgo, chegou a marca insuportável dos 32 graus e para quem está acostumado com vinte, vinte e poucos, já sabia que uma tempestade haveria de chegar, e chegou. Ontem, no decorrer do dia e hoje durante toda a madrugada choveu o suficiente para derreter os morros e cobrir com lama e água poluída as casas ribeirinhas. Felizmente nada de mais sério aconteceu que a gente ficasse sabendo. Com as chuvas de dois dias o clima mudou de tal forma que o termômetro deve ter tido vertigem ao despencar para os dezessete graus, que agora marca. Parece que estou na Europa olhando os Alpes suíços, da minha janela. A propósito; no dia 12 de janeiro, agora, completou um ano da tragédia nessa cidade e para registrar o fato, recebemos o secretário do meio ambiente, Sr. Carlos Minc e a presidente do Inea, Sra. Marilene Ramos, que foram ao distrito de Córrego Dantas para anunciar a liberação de 44 milhões de reais para as obras ribeirinhas. Com uma das ferramentas de demolição na mão o casal posou para os jornalistas e sorriu para os fotógrafos. Hoje, dezesseis dias depois, nada mudou. Tudo está como há um ano, do mesmo jeito e maneira.
A temperatura ficou amena, gostosa, mas a cidade mantém a cara feia e triste que o desastre climático de um ano permitiu e os governantes acham relevante.
silvioafonso